Resenha| Príncipe Cativo: O Escravo

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Título: Príncipe Cativo – O Escravo

Autora: CS Pacat

Editora: V&R Editoras

Série: Príncipe Cativo – 01

nº de pgs: 320

Sinopse: Damianos é um herói para o seu povo e o legítimo herdeiro do trono de Akielos. Mas, depois da morte do pai, seu meio-irmão toma o poder e o captura, vendendo-o como escravo. O guerreiro é obrigado então a servir a Laurent, o príncipe de Vere, a poderosa nação inimiga. 
Para manter em segredo sua verdadeira identidade e as marcas que escondem seu passado, Damen – como também é conhecido – aceita a condição submissa. 
Mas Laurent é o que há de pior na corte de Vere. E, como nos meios políticos nada é o que parece ser, Damen é obrigado a estar ao lado do tirano manipulador, ainda que ele o odeie mais do que a qualquer pessoa. 
Laurent e Damen têm consciência de que não são sentimentos nobres que os aproximam, mas o desejo de supremacia que está na origem da discórdia entre as duas nações. 
Com um ritmo de tirar o fôlego, Príncipe Cativo: O escravo é uma narrativa que coloca em questão temas políticos e culturais. Uma saga épica, ao estilo de “Game of Thrones”, que entrelaça de maneira brilhante jogos de poder e sedução.

Podemos superar toda a polêmica envolvendo esse livro e ir para a história?

Assim que a editora anunciou esse livro fiquei muito interessada em sua premissa e no tanto de pessoas que já adoravam essa série e falavam bem, então claro que me empolguei bastante. Mas logo descobri que outro grupo de pessoas avisava que era uma série pesada, com cenas de estupro, escravidão e óbvio que isso me assustou e me levou a pesquisar de forma aprofundada. Nessa pesquisa descobri que muita gente falava mal, mas sem especificar o porquê, então decidi dar uma chance sim para Príncipe Cativo e posso dizer que não me arrependi.

Esse livro trata sim de temas espinhosos, mas não de forma gráfica ou traumática para o leitor. No fim da resenha vou deixar uma lista de possíveis gatilhos que o livro possa despertar. Mas vamos deixar isso de lado por enquanto e nos focar na história?

Akielos e Vere são dois países que viveram em guerra por muitos anos, mas no momento estão tentando selar acordos de paz. Isso acontece quando o antigo rei de Akielos morre e seu filho bastardo, Kastor, assume o trono ao declarar que o legítimo herdeiro, Damianos foi morto. Mas isso, obviamente é uma mentira. Damianos é feito escravo e enviado de presente para o príncipe de Vere, Laurent. Acontece que Damianos (apelidado de Damen) não pode revelar sua verdadeira identidade, pois ele foi o responsável pela morte em batalha do irmão mais velho de Laurent. Ou seja, se descobrirem quem ele é, seria morto em um instante.

Akielos e Vere me lembram a Grécia e Roma antiga respectivamente: a escravidão é tida como algo comum e a homossexualidade é natural e incentivada. Então muitas pessoas podem se chocar logo no começo do livro, pois de forma abrupta vemos Damen ser apturado e escravizado. Mas de forma alguma a autora romantiza isso, como algumas pessoas afirmam. Vemos justamente o horror desse regime. Assim, ele é jogado nesse reino em que todos parecem ser criaturas horríveis e perversas, especialmente seu mestre, Laurent.

Quero fazer logo um comentário sobre o estilo de escrita da autora. Nos primeiros capítulos, com tudo acontecendo muito rápido, fiquei com a impressão que a escrita dela era bem iniciante, sem muita maturidade, afinal esse é o primeiro livro dela. Mas com o decorrer do livro vi que não é bem assim e que toda a “pressa” do início foi pensada de forma deliberada, para sermos jogados, junto com Damen, naquele cenário. Outro ponto que adorei foi como ela não precisa descrever cenas de violência para sentirmos o quão grave é alguma situação. Muita coisa fica nas entrelinhas, fica velado e eu amei isso. Porque, desta forma, a leitura não fica pesada e incômoda. Não precisamos ler uma cena de alguém sendo espancado, simplesmente é descrito que “fulano apareceu com marcas no braço” e simples assim, sabemos o que houve sem ter algo traumático jogado na nossa cara. Deu vontade de beijar a autora por essa escolha de narrativa.

Damen é um personagem que vê tudo ou preto ou branco. Enquanto a autora vai delineando coisas nas entrelinhas que nós leitores vamos percebendo, o protagonista, coberto de preconceitos, demora para notar. Ele é aquele típico herói clássico, é um excelente guerreiro, que quer o melhor para seu país e dotado de honra (na visão dele). Em paralelo temos Laurent, que em um primeiro momento parece um sociopata manipulador, mas que com o decorrer do livro nós notamos que é muito além disso. Porque no fundo ele é meio sociopata manipulador sim. Eu adorei ambos os protagonistas, são personagens complexos e que te dão vontade de conhecê-los a fundo. Ah e mesmo que saibamos que em algum momento eles serão um casal, não tem nada de romance nesse primeiro livro e adorei isso, porque convenhamos, seria bem problemático.

“Torveld favoreceu Laurent com outro daqueles olhares longos e cheios de admiração que estavam começando a surgir com uma frequência irritante. Damen franziu o cenho. Laurent era um ninho de escorpiões no corpo de uma pessoa. Torveld olhava para ele e via uma flor.”

157 p.

Temos vários coadjuvantes de destaque; primeiramente, o tio de Laurent, o regente de Vere que governará até o rapaz atingir a maioridade para poder ser coroado, infelizmente não dá para falar sobre ele sem dar spoilers, então direi apenas que o odeio. Outros que se destacam são Nicaise, o jovem escravo de estimação do regente que é uma cobrinha, mas não tem como não querer protegê-lo e Erasmus, um dos escravos de Akielos que foi dado de presente para Vere e que é muito fofo! Tem até um conto dele no fim do livro.

Sobre a estrutura da história, como já comentei, os primeiros capítulos são bem abruptos, exatamente para chocar com toda a situação e nos apresentar essa cultura tão estranha a nós leitores. Só a partir da metade é que a trama política e as tretas e manipulações começam e aí sim o livro me ganhou. Mesmo assim, essa primeira parte introdutória atrapalhou um pouco minha experiência de leitura.

Príncipe Cativo não é uma história para todo mundo. A pessoa tem que gostar de tramas políticas, romances LGBT e estar com a mente aberta para encarar culturas muito diferentes da nossa. Se você estiver disposto a tudo isso, vale muito a pena dar uma chance.

A resenha ficou gigante e só me faz questionar como uma trama tão complexa cabe em um livro tão curto? Estou super ansiosa pela continuação e torcendo que ainda saia esse ano. A nota só não é maior, porque sinto que essa é uma história que tem muito o que crescer ainda.

Nota: 3,5/5

AVISOS DE GATILHO (TRIGGER WARNINGS)

• Essa é uma história sobre escravidão, então não tem para onde correr gente. Vai ter cenas de maus tratos e violência física e sexual com escravos, incluindo o protagonista. Mas como já comentei, não é mostrado de forma explícita ou gráfica, então não fica muito pesado, na minha opinião.

• No segundo capítulo temos uma cena de luta e quase estupro com o protagonista. Ele está em uma batalha e sofre uma tentativa de estupro, mas consegue escapar.

• No capítulo 5, temos uma cena de sexo oral de dúbio consentimento envolvendo o protagonista. Para algumas pessoas é estupro, para mim ficou bem dúbia mesmo.

 

 

 

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