Resenha| Agnes Grey

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Título: Agnes Grey

Autora: Anne Bronte

Editora: Martin Claret

Livro único

nº de pgs: 288

Sinopse: Publicado em 1850, Agnes Grey de Anne Brontë ultrapassa a Era Vitoriana com sua temática realista. A caçula da família Brontë não fica atrás de suas outras irmãs escritoras, Charlotte e Emily, ao criar uma protagonista disposta a enfrentar as convenções sociais da época e se firmar como uma mulher corajosa e dona de si. 
O trabalho de Anne Brontë, foi julgado insípido comparado ao de suas irmãs Charlotte e Emily, de fato é diferente do trabalho delas. Em Agnes Grey, Anne Brontë evita fortes paixões em favor de um retrato contido da vida real. A frase de abertura: Todas as verdadeiras histórias contêm instruções, sugere tanto o seu objetivo como o seu método: a demonstração, através do realismo, do crescimento espiritual e moral da heroína. 
Inspirada fortemente em suas próprias experiências, Brontë, convincente, apresenta a vida da governanta e os fatores que muitas vezes a fez insuportável. Ela cria para sua heroína e herói pessoas comuns que lutam em situações reais e difíceis, 
O tema subjacente, que as mulheres são seres racionais que devem ter os meios e oportunidades para sua independência e satisfação, se expressa principalmente na história de vida de Agnes. Procurando emprego, Agnes aceita a única ocupação disponível para mulheres de classe média, e ela embarca em sua carreira como governanta empolgada com a perspectiva não apenas de ganhar dinheiro, mas também de ampliar seus horizontes. 
Seu otimismo animado, no entanto, é ingênuo, com base na ignorância do mundo. O romance diz respeito a sua educação e crescimento para a maturidade. Apesar de seus fracassos como governanta, ela persevera, determinada a adotar uma abordagem lógica e racional para seus acusadores. Ela amplia sua compreensão da natureza humana, faz astutas avaliações de caráter e aprende a penetrar na hipocrisia. Embora ela sofra muitas humilhações, ela ganha autoconfiança, e em certos pontos, ela desafia abertamente a autoridade. 
Leitura imperdível para os apaixonados pelas outras irmãs Brontë e pela produção literária inglesa.

Um romance vitoriano bem diferente.

Não tem como ler um livro das irmãs Bronte sem ficar comparando o estilo umas das outras. Durante muito tempo, Anne foi a mais esquecida, a menos comentada das três irmãs, por isso demorei para ler Agnes Grey, primeiro romance que ela publicou. Sempre ouvi que era um livro sem grandes acontecimentos, sem romance e até meio chato, mas não achei nada disso.

Agnes é a filha de um clérigo que vive com seus pais e irmã mais velha na Inglaterra do século XIX. A família, mesmo enfrentando dificuldades financeiras, é muito unida e amorosa, assim, Agnes por ser a caçula, sempre foi super protegida. Mas ela deseja mais. Quer conhecer outros lugares e pessoas e provar para si mesma e para a família que ela consegue se virar sozinha. Assim, começa a trabalhar como preceptora.

É a partir daí que Anne Bronte faz um retrato verdadeiro (baseado em suas próprias experiências) e nada romantizado da condição das preceptoras, algo que cutucou e incomodou os leitores da época por apontar as falhas dos pais abastados que muitas vezes não se importavam com seus filhos, não impunham limites neles e esperavam que as preceptoras vivessem em função de seus pupilos e os educassem, porém sem dar nenhum tipo de autoridade ou auxílio a elas. Infelizmente, muitos educadores relatam que a situação mudou pouca coisa hoje em dia. Muitas famílias continuam a esperar que a escola tenha toda a responsabilidade na educação das crianças.

Mas voltando ao livro, essa narração da vida como preceptora que Anne nos oferece pode até não ter muitos acontecimentos, mas a escrita, a forma como ela nos conta essa história é super gostosa, fazendo com que pareça uma conversa. Além disso, vamos conhecendo a vida cotidiana da época e para quem gosta de romances de época como eu é sempre legal conhecer esses detalhes. 

Sim, Agnes Grey é um romance diferente dos outros romances vitorianos que conheço. Não tem casas misteriosas e segredos do passado com Jane Eyre; não tem romances avassaladores como em O Morro dos Ventos Uivantes, mas tem um romance sim. Calmo, assim como o tom do livro, mas ainda assim muito bonito. Também não temos coincidências incríveis e grandes reviravoltas como as histórias de Dickens. Agnes Grey é um livro sobre as impressões de uma garota durante seu processo de amadurecimento ao conhecer a si mesma e ao mundo.

O ponto que não gostei muito na história é que, apesar de Agnes sempre relatar que não quer parecer superior aos outros, é incrível como ela está sempre certa e as pessoas que a cercam (tirando sua família e seu interesse amoroso) são dotados de grandes falhas de caráter e péssimas escolhas. Isso me incomodou um pouquinho durante a leitura e é algo que poderia ter sido melhor trabalhado para ficar mais sutil. Mas aí a gente lembra que esse foi o primeiro livro da Anne e dá um desconto.

A edição está linda e ainda conta com um prefácio e um posfácio que explicam a importância desse livro, além de relatar um pouco da sociedade da época, além, é claro, de falar sobre a vida de Anne Bronte. 

Nota: 4/5

 

 

 

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